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Prancha do Gr Orador Margarida Pereira na Sessão de GL do Equinócio de Outono de 2011 ....Na Loja, que melhor manifestação de Fraternidade que a Partilha? Que ao Partilhar saibamos criar em cada Loja a Irmandade, o ninho que nos acolhe e aquece, a família que não faz perguntas e não dá reprimendas ou castigos. Onde encontramos os II∴ que nos dão o ombro, nos ouvem e nos acarinham perante as vicissitudes da vida, mas que também rejubilam com os nossos êxitos. Os desafios que enfrentamos na nossa vida e sociedade atual não são diferentes, na essência, dos desafios que os nossos antepassados enfrentaram. A viagem deles foi semelhante à nossa viagem de hoje! Aprendamos com a Tradição .....
A nossa HISTÓRIA continua!.........Fraternidade e Partilha Repito o que vos disse na minha alocução da GL dos Solstício de Junho: Temos um passado de 7 anos por todos nós construído, motivos para nos orgulharmo-nos desse histórico, mas também orgulharmo-nos do Presente, pela credibilidade em que assenta, alimentada por esse Passado, Presente que é alimento e influência do Futuro.
Contudo, com todos sabeis a “Construção do Templo” nunca está terminada e...... Os obreiros sempre serão eternos Aprendizes e deverão manter-se como Guardiães da Obra!
Ao iniciarmos o nosso oitavo ano de existência é tempo de consolidação e concretização. Esta só será possível se todos compreenderem qual é a Obra e qual o seu objectivo.
Questionar-se-ão: Porquê a importância e força da Obra? Recordemos o fundamental, para entender o que pretendo realçar:
A Maçonaria é essencialmente uma Escola de Valores e uma prática de Fraternidade, que se apoia num método e na TRADIÇÃO. A Tradição entende-se como a responsabilidade de dar continuidade ao Trabalho dos nossos antecessores e a responsabilidade de transmitir este património de conhecimento, enriquecido, às futuras gerações. Este caminho torna-se possível e adquire pleno sentido quando o indivíduo está integrado numa comunidade de Iniciados. Esta transmissão opera-se entre a Loja e o Iniciado, em cerimónias iniciáticas que criam uma cadeia ininterrupta de Mestre a Discípulo, que liga cada Maçon ao começo dos Tempos. O método maçónico revelou-se, ao longo dos tempos, eficaz na condução e evolução espiritual do Ser Humano, baseando-se em símbolos e alegorias que induzem a pesquisa, a interrogação, a descoberta e a........desinquietação positiva.
Cada um de nós transformou-se num dos elos desta “Cadeia de União” Maçónica, que não pode ser interrompida ou corrompida, pois o compromisso assumido é um “print” que aceitamos livremente para o resto das nossas vidas, compromisso de Fraternidade, dedicação e sigilo.
É sobre “Fraternidade”, que vos quero falar hoje.
Por definição e do ponto de vista puramente filosófico o conceito de Fraternidade está intimamente ligado a outros dois conceitos: Liberdade e Igualdade. Foi esta tríade que caracterizou grande parte do pensamento revolucionário francês, mas dos 3 conceitos foi o único que não esteve na origem do lema Iluminista, que no início defendia: "Liberdade, Igualdade e Progresso". O conceito de Fraternidade pressupõe que cada pessoa fez uma escolha consciente pela vida em sociedade, e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos (fraternos). Este conceito é a peça-chave para a plena vivência em cidadania entre as pessoas, pois, por princípio, todas as pessoas são iguais. A Fraternidade não é independente da Liberdade e da Igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas. Das 3, a Fraternidade é a mais importante para a realização da felicidade social; é a sua base. Sem ela não poderia existir nem Igualdade e nem Liberdade: a Igualdade decorre da Fraternidade, e a Liberdade é a consequência das duas outras. Esses três princípios são pois, solidários uns com os outros e apoiam-se mutuamente; sem a reunião dos 3, o edifício social não poderá estar completo. Estes direitos, que agora reportamos de Fundamentais só foram formalmente consagrados na Declaração Universal dos Direitos do Homem aprovada Assembleia Geral da nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948, em que no Artigo 1 se pode ler: todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Estes três elementos “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” são também o triângulo que sustenta a filosofia da Maçonaria especulativa. A GLTP subscreve-os no seu texto fundamental denominado “As Opções da GLTP”, mas acrescenta-lhe mais um conceito, a Diversidade.
Sendo impossível esgotar o tema, gostaria de vos sensibilizar para uma das “facetas” da Fraternidade Maçónica no trabalho em Loja – falo de “PARTILHA”.
Se recordarmos o “ método maçónico”, fácil será compreender que, no Trabalho em Loja, todos e cada um dos obreiros são constantemente desafiados a empreender novas descobertas, a desinquietação positiva atrás referida:
aprendendo que a Maçonaria não se faz fora de uma Loja, pois só “somos Maçons se os nossos II∴ nos reconhecerem como tal”.
aprendendo e apreendendo que a liberdade de espírito começa na individualidade e na identificação dos contornos do seu ser único e irrepetível, tarefa iniciada no Atrium.
aprendendo e apreendendo que Maçonaria não conhece pelo estudo e leituras; a Maçonaria compreende-se quando se vive, pela sua forma própria de estar e o porquê. aprendendo e apreendendo que os trabalhos em Loja são discretos para usufruírem do ambiente propício à pesquisa, reflexão e desenvolvimento do espírito – trabalho a coberto.
aprendendo e apreendendo o conhecimento ancestral, contido nos símbolos e rituais, assim como saber quem somos, o que defendemos, as nossas origens e Tradição Maçónica.
aprendendo e apreendendo que a vivência em Loja é pessoal e tem de ser ritual, e tal obriga a um desempenho com rigor e elegância desse mesmo ritual, em harmonia e fraternidade, não compactuando com posturas diletantes ou infantilidades.
aprendendo e apreendendo que o desenvolvimento como indivíduo não se faz pela competição, mas antes é individual e no seu tempo, e pela participação proactiva em Loja. aprendendo e apreendendo que maçonaria é Partilha, encarada como um direito e um dever do maçon em Loja. Partilhar é um dever pois, ao expormo-nos, ao darmo-nos aproximamo-nos dos outros, damos amor. Fácil ? Nem sempre! Aprende-se, compreende-se e desenvolve-se; inicialmente pela razão e com o apoio do coração. Quando adquirida, não a dispensamos, pois alimenta o espírito e enriquece-nos enquanto seres humanos. Partilhar o que sentimos, o que pensamos, o que julgamos ser, é mais valia para todos aqueles com quem interagimos e também para o próprio. Como tal impõe-se a reciprocidade – daí Partilhar ser também um direito de cada obreiro. Se cada obreiro é único e livre, então só haverá grupo/loja e até mesmo sociedade se todos reconhecermos a insignificância do indivíduo e aceitarmos a diferença. A Partilha é a forma de expressar a aceitação da diversidade, de desenvolvimento espiritual e a força da fraternidade. Na Loja, que melhor manifestação de Fraternidade que a Partilha? Que ao Partilhar saibamos criar em cada Loja a Irmandade, o ninho que nos acolhe e aquece, a família que não faz perguntas e não dá reprimendas ou castigos. Onde encontramos os II∴ que nos dão o ombro, nos ouvem e nos acarinham perante as vicissitudes da vida, mas que também rejubilam com os nossos êxitos. Os desafios que enfrentamos na nossa vida e sociedade atual não são diferentes, na essência, dos desafios que os nossos antepassados enfrentaram. A viagem deles foi semelhante à nossa viagem de hoje! Aprendamos com a Tradição. Nos nossos tempos conturbados, de ausência de valores, de corrupção, de angústia quase insuportável, em que cada um de nós se sente impotente para alterar os males do mundo, tudo o que atrás sublinhei não é negligenciável ou desperdício. Em Família maçónica saberemos encontrar a sabedoria e força para tornar a nossa vida melhor, aprendendo a aceder à felicidade. Só depois de alcançado este patamar em que aprendemos a ajudar-nos a nós próprios, conseguiremos ser melhores pessoas, e então poderemos tornarmo-nos cidadãos do mundo, (ou apenas do nosso bairro), mas estaremos em condições de estabelecer o objectivo da nossa Obra. Aprendamos e apreendamos o que é “Viver Maçonaria”: É a capacidade de, no silêncio da contemplação surgir o sonho, impossível quando pensamos na nossa pequenez, mas realizável quando olhamos para os Irmãos que nos rodeiam. Será, para cada um: “Viagem pelo tempo, trabalho na matéria, transformação do espírito” – tal a alegoria do nosso SGC.
Lisboa, 15 de Outubro de 2011 Sessão de GL Gr Orador Margarida Pereira |